Mulheres são maioria no eleitorado, mas ocupam poucas cadeiras no Parlamento 

 Mulheres são maioria no eleitorado, mas ocupam poucas cadeiras no Parlamento 

Nos dias atuais, o direito ao voto é um exercício de cidadania democrático, no qual mulheres e homens de todas as classes sociais e etnias podem votar para escolher seus líderes políticos e também serem votados. No entanto, para que o voto feminino se tornasse um direito no Brasil, foram necessárias diversas manifestações em prol deste objetivo. Elas eram chamadas de “Movimento Sufragista”, pois assim eram conhecidas as mulheres que participaram do movimento e reivindicavam poder votar e serem votadas.

 

De acordo com a professora Eunice Borsetto, do curso de Pedagogia EaD da Universidade Tiradentes (Unit EaD), as mulheres não tinham direito ao voto até 1932, com justificativas controversas de parlamentares da época e pessoas que eram contra o voto feminino. “Diziam que participar da política ameaçaria a manutenção da família, uma vez que elas deviam obediência aos seus pais e maridos, além de serem emocionalmente influenciáveis e de serem incapazes de entender assuntos complexos como a política. Mas isso ia na contramão do que ocorria, pois as mulheres podiam exercer outros cargos públicos de responsabilidade, como direção de escola, médicas, e até delegadas”, explica.

 

O direito ao voto feminino em todo o Brasil ocorreu com a promulgação do Código Eleitoral de 1932 pelo presidente Getúlio Vargas, influenciado pelo movimento das sufragistas. Desde então, a participação de mulheres na política têm crescido. Atualmente, ela ocorre principalmente na discussão de pautas relacionadas à igualdade e aos direitos humanos. De acordo com dados estatísticos da Justiça Eleitoral, em 2018, as mulheres foram maioria no eleitorado brasileiro , totalizando 52% de votantes durante as eleições.

 

Essa participação, entretanto, não é a mesma quando se trata de candidaturas políticas visto que, no mesmo ano, apenas sete mulheres foram eleitas ao Senado, (o que representa 11% do total disputado e menos de 10% das cadeiras), e outras 77 conquistaram uma vaga na Câmara dos Deputados. Atualmente, 78 dos 513 deputados são mulheres, ou seja, apenas 15,2% do total.

 

Dentro deste cenário, algumas medidas são necessárias para que a paridade de gêneros seja alcançada na política nacional. Segundo o estudo Mulheres Brasil, da Organização das Nações Unidas (ONU), é necessária a conscientização social da desigualdade de gêneros na política que o país enfrenta, além de estratégias de empoderamento político feminino, com o fortalecimento da autoestima das mulheres para que tenham coragem de concorrer a cargos políticos.

 

Uma das medidas é a fixação de cotas do Fundo Eleitoral, destinado ao financiamento das campanhas políticas, de 30% para candidaturas de mulheres a cargos eletivos, o que já foi aprovado pelo Congresso Nacional. Por outro lado, o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) veicula desde o meio do ano uma campanha de rádio e TV incentivando que mais mulheres se candidatem e participem das eleições, mas expondo algumas dificuldades que as mulheres já eleitas vêm enfrentando em seus mandatos, como falta de apoio dos partidos, assédio de colegas e ofensas de militantes adversários.

 

Eunice Borsatto conclui que, mesmo após mais de 80 anos dos movimentos sufragistas, as mulheres ainda têm muito que lutar para conseguir participar da política de forma paritária e igualitária. “O caminho é longo, já percorremos uma parte mas ainda falta muito para conseguirmos a igualdade não apenas na política, mas em diversos outros setores. Vencer as barreiras não é fácil, mas aos poucos vamos conquistando direitos e ocupando os espaços”, afirmou.

Assessoria de Imprensa | Unit

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