Perspectivas – Investimento Externo na América Latina e Caribe

 Perspectivas – Investimento Externo na América Latina e Caribe

Segundo o Relatório World Investment Report 2020, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a disseminação rápida da pandemia agravou a situação econômica já debilitada da América Latina e Caribe. A situação pode desencorajar investidores para a Região. Espera-se que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) para 2020 seja reduzido pela metade.

 

Em 2019, o IED na América Latina e no Caribe cresceu 10%, alcançando US$ 164 bilhões, impulsionado pelo aumento dos fluxos para o Brasil, Chile e Colômbia. A região representou em 2019, cerca de 10,7% na atração de investimento estrangeiro no mundo. A figura abaixo ilustra o fluxo de entrada de investimento estrangeiro direto nas economias da América Latina, especificamente nos países onde houve os maiores investimentos em 2019.

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Fig 1. Fluxos de IED na América Latina e Caribe- Top 5 em IED – 2019 (em US$ bilhões).jpg

IED em 2020 e Perspectivas

De acordo com o Relatório, espera-se que os fluxos de investimento para a região caiam pela metade em 2020, ante os US$ 164 bilhões recebidos no ano passado. A pandemia chegou relativamente tarde na América Latina, mas nem por isso deixou de agravar ainda mais as condições sociais e as fraquezas estruturais da região. Isso vai criar mais dificuldades e desafios na atração de investimentos estrangeiros para a América Latina e Caribe. Porém, no relatório Perspectiva Econômica Global, o FMI estimou uma expansão de 4,6% para a América Latina e o Caribe em 2021, e para o Brasil a projeção de crescimento é de 3,7%.

Os dados sobre os investimentos greenfield [1] anunciados, mostram um declínio de 36% no número de projetos no primeiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Ver o gráfico 1.

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Gáfico 1. América Latina e Caribe- Número Médio Trimestral de Projetos de Investimento Greenfield Anunciados, 2019 e 1o Tri 2020.jpg

No entanto, o relatório deixa claro que esta ainda é uma projeção conservadora, pois a maior parte do impacto sobre novos projetos ficará evidentes a partir de abril-2020.

O choque também se reflete nos dados mais recentes e disponíveis, sobre o número de aquisições estrangeiras na região. Observem o gráfico 2 logo abaixo, as aquisições diminuem a cada mês, em 2020, chegando a cair 78% em abril, com relação ao mesmo mês de 2019.

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Gráfico 2. América Latina e Caribe- Número Médio Mensal de Fusões e Aquisições Transfronteiriças, 2019 e jan-abril de 2020..jpg

O choque terá impactos diferentes entre os setores da economia da região, com commodities, turismo e transporte entre os mais atingidos. Na manufatura, automotivo e têxtil, duas importantes indústrias na região, sofrerá choques tanto na oferta quanto na demanda.

Os exportadores de commodities da região, um setor que normalmente responde por ações consideráveis de ambos os fluxos (entrada e saída de IED), enfrentaram um choque duplo da queda dos preços das commodities (petróleo, cobre, minérios de ferro, grãos de soja).

indústria automotiva, uma das mais atingidas pela pandemia, está sofrendo forte contração; no primeiro trimestre de 2020, o número de projetos greenfield anunciados para a instalação de novas fábricas, diminuiu em mais de 73% na região. No Brasil, onde a produção de automóveis é principalmente voltada para o mercado interno e mercados vizinhos, o IED do primeiro trimestre caiu 64%.

Em 2019, a América Latina e o Caribe se tornaram um hotspot para IED em energia renovável – em particular o Brasil, com 42 projetos anunciados por investidores estrangeiros, representando quase 40% do total regional. No primeiro trimestre de 2020, a indústria ainda registrava um aumento de 12% no número de projetos anunciados. Espera-se que os projetos caiam no segundo trimestre de 2020, por causa da deterioração econômica, aumento de riscos e inadimplência; além dos atrasos no cronograma de projetos e custos mais altos para importar equipamentos.

Cerca de US$ 72 bilhões o Brasil atraiu de investimentos em extração de petróleo e gás, e indústrias de eletricidade, um aumento de 20% em relação a 2018. Durante os primeiros nove meses de 2019, o Governo brasileiro levantou cerca de US$ 20 bilhões por meio de privatizações e desinvestimentos, US$ 1,4 bilhão em pagamentos para direitos de operar infraestrutura, e cerca de US$ 3 bilhões em “vendas de ativos naturais”, consistindo principalmente das áreas de exploração de petróleo da Petrobras controladas pelo Estado.

O primeiro e maior deles envolveu a empresa distribuidora de gás – Transportadora Associada de Gas (TAG) – comprada por um consórcio de investidores liderado pela Engie (França) por quase US $ 8,7 bilhões. Para 2020, o governo esperava vender mais US$ 35 bilhões em ativos, contudo, a pandemia jogou a economia de volta à recessão, levando o governo a adiar parte da venda de ações anunciadas.

As previsões da UNCTAD mostram um declínio acentuado no IED global em 2020 e 2021, para um nível cerca de 40% inferior ao IED de 2019.

Unctad. World Investment Report, 2020.

Mesmo antes do surto de COVID-19, o modelo da UNCTAD previa uma tendência de estagnação (-3% em 2020 e 1% em 2021) como resultado de tensões políticas e comerciais, e uma perspectiva macroeconômica geral incerta. Todas as regiões e blocos econômicos verão taxas de crescimento de IED negativas em 2020.

Teremos anos difíceis para a América Latina nos próximos anos.

[1] São projetos que são realizados a partir do zero, ou seja, novos empreendimentos.

Até o próximo artigo!.

ECONOMIA E INOVAÇÃO

Por: Sudanês B. Pereira

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