FEIRA DA CORUJA: CCJ da Câmara começa a ouvir os dois lados da moeda

 FEIRA DA CORUJA: CCJ da Câmara começa a ouvir os dois lados da moeda

Na Sessão da Câmara Municipal de Vereadores de Tobias Barreto desta terça-feira (25), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) começou a ouvir representantes dos funcionários, comerciantes e barraqueiros a despeito da proposta que visa alterar, definitivamente, o dia da Feira da Coruja da cidade, tradicionalmente ocorrida nas noites dos domingos, mas, por conta da pandemia, transferida para as quartas-feiras, também à noite.

 

O presidente da CCJ, vereador Júnior Cisneiros (PSD/SE), que conduziu com maestria os trabalhos, decidiu intercalar a fala dos convidados entre os apoiadores da mudanças e os opositores da ideia, concedendo tempo entre seis e dez minutos para cada um. “Nós não podemos, enquanto vereadores, determinar a proibição de que ninguém possa abrir seu comércio. Da mesma forma, o que podemos fazer é delegar questões de horários de abertura”, enalteceu o presidente da Comissão, citando que, em 2010, um projeto semelhante foi discutido na cidade sergipana de Estância.

Entre os partícipes, fizeram uso do púlpito da Casa o presidente da CDL, Ailton dos mosquiteiros, o empresário e ex-secretário da Fecomércio de Sergipe, Marcos Andrade, os comerciantes Gilmar, Antônio, popular Tonho de Milhão, José Valença, Isaac Araújo, Rosângela Milândia, Pedro e os funcionários Josefa Sirlene e Adma.

Rosângela Milândia, representante dos barraqueiros, é contra a alteração do dia. Segundo ela, os barraqueiros não conseguem vender nas noites de quarta-feira em virtude do baixo número de consumidores. “Dia de quarta, abre a barraca e ficam lá, de braços cruzados, não vendem um real”, afirma Rosângela, que continua, “se os barraqueiros perderem a feira de domingo, Tobias Barreto vai passar fome, os barraqueiros vão passar fome e devemos ficar com um pesinho na consciência”.

                              Rosângela, representante dos barraqueiros. Foto: Redes Sociais

Para o empresário Pedro, que também não concorda com a mudança, é necessário ponderar quatro lados: o funcionário, o barraqueiro, o restaurante e a pousada. “Liguem para os donos de excursões, como eu liguei. São todos. Não encontra nenhum dono de excursão que seja favorável à abertura nas quartas-feiras porque eles sabem que não terão passageiros”, disse o empresário. “Vai surgir uma Toritama em Lagoa Redonda”, continuou Pedro ao fazer analogia entre o crescente comércio da Lagoa Redonda, distrito de Itapicuru, vizinho de Tobias Barreto, e uma cidade pernambucana que, no relato do empresário, se fortaleceu após Caruaru, também em Pernambuco, mudar o dia da feira.

                                           Pedro, empresário. Foto: Redes Sociais

Em seu discurso, o empresário Gilmar, grande apoiador da proposta, refutou as falas que alegavam que houve pagamento para que as pessoas assinassem o abaixo-assinado entregue ao Poder Legislativo. “Tem que ter vídeo e mostrar, porque eu larguei a minha empresa e, juntamente com outra empresária, fomos de loja em loja e de barraca em barraca”, disse Gilmar. Afirmando ser impraticável que empresários tenham descansos de períodos consideráveis, tais como os funcionários possuem 30 dias, ele citou o TCC, de reconhecimento nacional, elaborado pela assistente social Verônica Lemos, que versa sobre os impactos causados pelo excesso de trabalho, como a falta de tempo para dedicação à família, para frequentar missas e cultos, além de questões de saúde como problemas cardiovasculares, transtornos alimentares e insônia.

Gilmar, empresário que encabeça movimento para mudar de domingo para quarta-feira a Feira da Coruja. Foto: Redes Sociais.

Gilmar continuou o discurso mostrando que a tecnologia modificou, entre outras coisas, a forma de consumo, o que também influenciou na forma da Feira da Coruja. “A forma de consumir no mundo todo, mudou e vai mudar. A pandemia mudou os hábitos, a cultura e a forma da pessoa viver e se comportar. Ninguém vai parar de consumir online pois é mais prático, barato e fácil. Não pensem que Tobias Barreto voltará a ter 200, 300, 500 ônibus, como antigamente. A vida mudou e esse pandemia fez a gente mudar e rever nossos conceitos, pois dinheiro não se leva em caixão”, ponderou Gilmar.

Em sua fala, o empresário Marcos Andrade, que não concorda com a proposta, disse que uma pesquisa de opinião foi encomendada e realizada: “Contatamos o Sindicato do Comércio e a Fecomércio, através do seu presidente, Laércio Oliveira, e contratamos uma pesquisa e foi feita. Senhor presidente, na quarta-feira enviarei para esta Câmara a pesquisa”, salientou o empresário. “O cliente vive sem nós. Nós não vivemos sem o cliente”, continuou. Informando que, em reunião, ano passado, o Sindicato do Comércio decidiu que se discutiriam, no decorrer de 2021, todas as alterações na feira, Marcos pediu que o presidente da CCJ retirasse o projeto de pauta: “E é essa proposta, senhor presidente, que eu faço para o senhor, que retire esse projeto de pauta para que nós possamos discutir à exaustão”.

                                             Marcos Andrade. Foto: Redes Sociais

Já o presidente da Câmara dos Dirigentes Logistas – CDL, Ailton, afirma que aguarda projeto por parte da Prefeitura Municipal de Tobias Barreto. “Desde a gestão passada, falava-se em suspensão da Feira da Coruja até a gente vencer este problema de saúde mundial. Sobre a mudança, desde o início, a CDL permaneceu neutra pois estamos em busca de planejamento. Esperamos um planejamento de mudança ou de retorno”, assegurou Ailton, enaltecendo o potencial do comércio tobiense em detrimento a outros locais.

Ailton, Presidente da CDL Tobias Barreto

Na próximo dia 02 de junho, a CCJ ouvirá o secretário de Indústria e Comércio de Tobias Barreto, Alex Formiguinha, que não pode comparecer na sessão desta terça-feira por conta de compromissos na capital sergipana.

Alguns parlamentares já se posicionaram sobre a questão. É o caso do vereador Gilson Ramos (MDB/SE), que, em vídeo que circula nas redes sociais, diz que domingo não é dia de trabalho. O vereador Neguita (MDB/SE), favorável ao projeto, pediu ao presidente a relatoria da futura proposta.

Contatados pelo Portal Tobiense, os vereadores Júnior Cisneiros e Divan das Candeias (PV/SE) ainda não se manifestaram.

 

Por Jose Bráulio

 

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