Empregados da Caixa aprovam estado de greve e paralisação na próxima terça-feira (27)

 Empregados da Caixa aprovam estado de greve e paralisação na próxima terça-feira (27)

Brasília: Prédio da Caixa Econômica Federal. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Os empregados da Caixa Econômica Federal aprovaram, nessa quinta-feira (22), estado de greve. Uma paralisação de 24 horas está marcada para a próxima terça-feira (27) em todo o País.

Segundo o Sindicato dos Bancários, o governo federal pretende abrir o capital de uma das operações mais rentáveis do banco: a Caixa Seguridade, no dia 29 de abril, além de pressiona a Caixa pela devolução dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCDs) – contratos feitos junto ao Tesouro Nacional, que capitalizam o banco e permitem a ampliação da oferta de crédito, a diminuição da taxa de juros e o aumento da capacidade do banco em investimentos na habitação, saneamento, infraestrutura, entre outros.

A direção do Caixa pretende ainda criar uma subsidiária chamada Banco Digital, com outro CNPJ, e transferir para esta nova empresa todas as operações sociais do banco, como pagamentos do Bolsa Família, Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida (que será substituído pelo Casa Verde e Amarela).

Estas medidas são encaradas pelo movimento sindical como mais uma tentativa do governo federal de privatizar o único banco 100% público do país.

“O projeto da equipe econômica de orientação neoliberal do governo Bolsonaro, e da direção da Caixa, é fatiar o banco em várias partes [subsidiárias] e vender cada uma delas – uma privatização disfarçada para contornar decisão do Supremo Tribunal Federal, que impede a venda de empresas estatais sem aval do Congresso”, afirma Tamara Siqueira, diretora do Sindicato e empregada da Caixa.

“Com estas medidas, o governo federal irá promover um ataque mortal à Caixa, transferindo para o capital privado suas funções pública e social, o coração do banco, e sua parte mais rentável, a Caixa Seguridade. Soma-se a estas medidas que irão esvaziar por completo o banco, a devolução dos IHCDs, que descapitalizarão o banco, comprometendo a sua capacidade financeira em benefício dos bancos e investidores privados. Se estas medidas se concretizarem, não sobrará absolutamente nada da Caixa Econômica Federal”, alerta Tamara.

O estado de greve também está sendo deflagrado para cobrar da direção do banco melhores condições de trabalho e de atendimento à população, por meio de mais contratações, proteção contra a Covid-19 e vacinação prioritária para os empregados do banco.

Os bancários cobram o pagamento da PLR Social na íntegra aos empregados. Os bancários perceberam e os economistas do Dieese no Sindicato fizeram as contas e chegaram a diferença de R$ 1.593,43.

“Motivos não faltam para os empregados se mobilizarem e paralisarem suas atividades em protesto, pois os ataques promovidos pela direção da Caixa e pelo governo federal afetam diretamente a PLR Social, uma conquista histórica dos empregados, e a função pública e social do banco, justamente em um momento em que a atuação do Estado deve ser fortalecida e não enfraquecida ou entregue ao capital privado, que só visa o lucro”, afirma Tamara.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa) e a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) lançaram, no dia 16, a campanha “Brasil Seguro é Caixa Pública”.

O objetivo é mobilizar, durante todo o mês de abril, entidades associativas e sindicais, os empregados e alertar os parlamentares e toda a sociedade sobre os graves prejuízos que a privatização vai causar ao banco e à população, em benefício do mercado privado.

A campanha prevê um calendário de lutas que compreende plenárias nas bases de cada sindicato. A de São Paulo foi realizada na terça-feira 20. Além da assembleia desta quinta-feira 22, o cronograma compreende ainda live no dia 26, que debaterá a privatização e descapitalização do banco. O foco desses encontros virtuais será propor ações de mobilização contra a abertura de capital da Caixa Seguridade.

Com informações do Sindicato dos Bancários

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