ECONOMIA E INOVAÇÃO: O Trabalho Remoto no Brasil em 2020

 ECONOMIA E INOVAÇÃO: O Trabalho Remoto no Brasil em 2020

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgou um estudo interessante sobre o trabalho remoto no Brasil em 2020, durante a pandemia. Os dados tiveram como fonte a Pesquisa Nacional sobre Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19.

É importante lembrar que a legislação trabalhista faz referência ao trabalho remoto como ‘teletrabalho’, mas também é conhecido como ‘homeoffice’. De forma simples, trabalho remoto é aquele transferido para o ambiente do lar, e se distingue de outras modalidades de trabalho realizadas distantes do espaço da empresa ou da instituição. São trabalhos realizados através das tecnologias da informação (TI), à distância, mediados por computadores, notebooks, tablets e smartphones com conexão pela Internet.

No período de maio a novembro de 2020, a população ocupada no país foi de 83 milhões de pessoas. Desses, 88,9% estavam trabalhando normalmente (74 milhões), enquanto 11,1%, ou 9,2 milhões, foram afastados. Das pessoas que estavam ocupadas e não afastadas, 8 milhões estavam trabalhando remotamente. A tabela 1 mostra a média das pessoas ocupadas no país, durante a pandemia em 2020.

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Tab. 1. Pessoas Ocupadas no Brasil na Pandemia da Covid-19 (2020).jpg

Perfil das Pessoas que Trabalhavam Remotamente

O estudo do IPEA mostrou que 56,1% das pessoas que trabalhavam remotamente eram de mulheres, 65,6% eram pessoas brancas e 34,4% eram pardas ou pretas. Considerando a escolaridade, 74,6% possuíam nível superior completo, 23,1% tinham o ensino médio completo ao superior incompleto. Sob o ponto de vista da faixa etária, 31,8% estavam na faixa de 30-39 anos, 20,6% entre 20-19 anos, e 14,9% estavam na faixa entre 50-59 anos. Cerca de 63,9% trabalhavam no setor privado e 36,1% no setor público.

O Trabalho Remoto por Setor de Atividade

De maio a novembro de 2020, 14,5% das pessoas que trabalhavam de forma remota no setor privado, estavam em atividades vinculadas ao setor serviços, 10,3% no segmento de educação privada, e 7,7% em comunicação. No setor público, cerca de 14,4% estavam ocupadas na administração pública municipal, 13,9% estavam vinculadas ao setor público estadual, e 7,8% na esfera federal. O gráfico 1 ilustra a distribuição das pessoas em trabalho remoto, no Brasil, por setor de atividade.

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Gráfico 1. Distribuição das Pessoas em Trabalho Remoto de Acordo com a Atividade Laboral na Pandemia da Covid-19 (2020).jpg

Um fato interessante apontado pelo estudo, foi o de que, entre as atividades do setor privado, as atividades de educação, financeira e comunicação, estavam com, respectivamente, 51,0%, 38,8% e 34,7% das pessoas ocupadas, atuando de forma remota. As outras atividades vinculadas ao setor privado apresentaram percentuais de pessoas em trabalho remoto, abaixo da média nacional, como pode ser visto no gráfico logo abaixo.

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Gráfico 2. Percentual das Pessoas em Trabalho Remoto dentro de cada Atividade Laboral na Pandemia da Covid-19 (2020).jpg

O Trabalho Remoto por Região do País

Do ponto de vista regional, a região Sudeste foi a que concentrou a maior quantidade de pessoas em trabalho remoto no país, em média, cerca de 4,7 milhões de pessoas. A região Nordeste ocupou a 2ª posição, a região Norte tinha cerca de 3,3% das pessoas em home office. Ver o gráfico 3.

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Gráfico 3. Distribuição (%) das Pessoas em Trabalho Remoto por Região na Pandemia da Covid-19 (2020) .jpg

Algumas considerações

O levantamento do IPEA demonstrou a ligeira transição do trabalho presencial para o remoto, por vários profissionais de diversos setores e segmentos da economia, com variadas funções. Mais de 8 milhões de pessoas estavam trabalhando remotamente no período de maio a novembro de 2020, no país.

Para além dos indicadores mostrados na pesquisa, é importante observar também alguns aspectos que a pesquisa ainda não apontou, mas que é de extrema relevância:

  1. A experiência desses trabalhadores com a nova modalidade de trabalho, imposta, de certa forma, instantaneamente.
  2. A qualidade do trabalho – se permaneceu a mesma, melhorou, ou não funciona bem -, em especial para aqueles dos serviços públicos.
  3. A carga horária laboral, quantidade de horas trabalhadas, como medir etc.
  4. A infraestrutura para o trabalho
  5. A relação trabalhador X empresa no trabalho remoto
  6. A gestão desses trabalhadores.

Essas e outras questões se configuram em novos desafios para os gestores e trabalhadores. Se essa relação vai perdurar por mais tempo, é necessário começarmos a pensar coletivamente e encontrar alternativas que sejam boas para todos.

Até mais!

ECONOMIA E INOVAÇÃO 

Por: Sudanês B. Pereira – Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

 

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