ECONOMIA E INOVAÇÃO: Economia Criativa Gera US$ 509 bilhões

 ECONOMIA E INOVAÇÃO: Economia Criativa Gera US$ 509 bilhões

A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou este ano como o Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável A implementação será liderada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em consulta com a UNESCO e com outras agências das Nações Unidas.

 

No entanto, muitos desconhecem o que envolve a economia criativa e sua importância para a o desenvolvimento econômico, social, cultural e sustentável.

O que é economia criativa?

A “economia criativa” não é um conceito que pode ser facilmente definido, já que ela pode estar na origem de qualquer atividade econômica. O tema é considerado estratégico para o desenvolvimento e crescimento econômico e social de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O Relatório de Economia Criativa 2008[1] foi o primeiro estudo a apresentar a perspectiva das Nações Unidas sobre economia criativa. Segundo essa perspectiva, a definição de economia criativa pode ser entendida da seguinte forma:

a) A economia criativa é um conceito em evolução baseado em ativos criativos que potencialmente geram crescimento e desenvolvimento econômico;

b) Pode fomentar a geração de renda, a criação de empregos e receitas de exportação, ao mesmo tempo que promove a inclusão social, a diversidade cultural e o desenvolvimento humano;

c) Abrange aspectos econômicos, culturais e sociais que interagem com objetivos de tecnologia, propriedade intelectual e turismo;

d) É um conjunto de atividades econômicas baseadas no conhecimento com uma dimensão de desenvolvimento e vínculos transversais nos níveis macro e micro com a economia em geral;

e) É uma opção de desenvolvimento viável que exige respostas inovadoras de política multidisciplinar e ação interministerial;

f) No coração da economia criativa estão as indústrias criativas.

Para ficar claro, “Indústrias criativas” podem ser definidas como os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam a criatividade e o capital intelectual como insumos primários.

De fato, há uma convergência crescente em um grupo central de atividades e suas interações. É por isso que a Unctad e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o consideram um conceito “em evolução” baseado em ativos criativos, com potencial para gerar crescimento econômico e desenvolvimento.

Nessa perspectiva, a economia criativa abrange um conjunto diversificado de atividades econômicas baseadas no conhecimento, como publicidade, arquitetura, artes e ofícios, design, moda, filme, vídeo, fotografia, música, artes cênicas, publicação, pesquisa e desenvolvimento, software ou radiodifusão. Encontra-se, portanto, na interface entre a criatividade humana, ideias, cultura, propriedade intelectual (PI), conhecimento e tecnologia. Certamente, a economia criativa é grande.

Qual o tamanho da economia criativa?

De acordo com o Relatório mais recente da Unctad 2018[2], o tamanho do mercado global de produtos criativos se expandiu substancialmente, mais do que dobrando de tamanho, de US$ 208 bilhões em 2002 para US$ 509 bilhões em 2015. O gráfico 1 ilustra as exportações de bens criativos por grupos econômicos, e mostra que as economias em desenvolvimento tiveram um crescimento das exportações de bens criativos maior que as economias desenvolvidas, denotando o potencial da economia criativa nesses países.

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Gráfico 1. Exportações de Bens Criativos por Grupos Econômicos (bilhões de US$) 2002-2015 .jpg

Apesar da crise de 2008 ter afetado também a criação, produção e distribuição de bens criativos, seu desempenho comercial tem sido consistente, com uma taxa média de crescimento superior a 7% entre 2002 e 2015.

O comércio de bens criativos

Durante o período de 2002 a 2015, a participação das economias em desenvolvimento no comércio de bens criativos foi significativamente maior do que nas economias desenvolvidas, impulsionada principalmente pelo desempenho da China.

As dez economias em desenvolvimento com melhor desempenho no Relatório foram, China, Hong Kong (China), Índia, Cingapura, Taiwan, Turquia, Tailândia, Malásia, México e Filipinas. O domínio dos países asiáticos entre os dez primeiros é uma indicação clara de seu importante papel emergente em estimular e contribuir para o mundo criativo economia.

Do grupo de economias desenvolvidas, Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido, Alemanha, Suíça, Holanda, Polônia, Bélgica e Japão foram os dez maiores exportadores de bens criativos.

O desempenho da indústria criativa

O Relatório analisou os principais setores de desenvolvimento e inovação da indústria criativa, quais sejam, design, moda e cinema, que representam a maior parte do comércio mundial de produtos criativos.

Os produtos de design envolvem uma categoria ampla que inclui indústrias criativas de moda a móveis, e lideraram o mercado mundial de indústrias criativas. Segundo a Unctad, design é uma das sete categorias de produtos criativos que incluem: artesanato; audiovisuais; projeto; novas mídias; artes performáticas; publicação; e artes visuais. Destaques:

1.Os produtos de moda, design de interiores e joias, que se enquadram em design, responderam por 54% das exportações de produtos criativos.

2. O mercado de moda da Ásia está crescendo rapidamente, de Seul a Xangai, de Hong Kong a Bangkok e de Taipei a Tóquio.

3. A América Latina e a África também são cada vez mais reconhecidas como mercados emergentes da moda, especialmente na Argentina, Brasil, Chile, Nigéria e África do Sul.

4. O subsetor de design, ‘artes visuais’, que inclui antiguidades, pinturas e fotografia, e publicação e novas mídias, também representam uma fatia considerável do mercado. Juntos, eles responderam por 45% do total das exportações de bens criativos.

O desenvolvimento de jogos são um dos segmentos que mais crescem na indústria criativa. Em complemento a isso, é importante dizer que a economia criativa cresce na interseção da cultura, tecnologia, negócios e inovação. As indústrias criativas são um local para inovação e crescimento econômico, se aproveitado e desenvolvido de forma adequada.

O comércio de serviços criativos

Os serviços criativos, um setor importante da economia criativa, são mais complexos de se analisar, medir e estimar, mas já é uma das maiores áreas de crescimento da economia, por três motivos:

  1. Os serviços criativos estão crescendo com a economia digital e de compartilhamento.
  2. Os serviços criativos podem ser mais resistentes a pressões econômicas.
  3. Por último, os serviços criativos estão fortemente encadeados com atividades emergentes do comércio eletrônico.

Segundo o Relatório, o comércio de serviços criativos nas economias desenvolvidas permaneceu relativamente estável entre 2011 e 2015. A taxa média de crescimento anual para os países desenvolvidos foi de 4,3%, mais do que o dobro de todos os serviços. A participação dos serviços criativos no comércio total de serviços aumentou de 17,3% em 2011 para 18,9% em 2015.

Algumas considerações

O Relatório da Unctad é riquíssimo de informações e dados, cabendo vários artigos para compartilhar sobre as possibilidades da economia criativa.

Mas o fato é que a economia criativa pode desencadear mudanças e construir sociedades mais inclusivas, conectadas e colaborativas. A economia criativa é um caminho viável para estratégias de diversificação econômica.

É importante enxergar a potencialidade da economia digital e compartilhada, em conjunto com a economia criativa, o comércio eletrônico e as muitas oportunidades que surgem nesses espaços.

O comércio tradicional de bens e serviços criativos continua sendo uma parte importante das economias locais, portanto, é importante pensar nas diversas formas de melhorar o comércio tradicional.

Como um modelo alternativo de desenvolvimento, a economia criativa tem capacidade de criar experiências ao invés de apenas produtos, como os modelos tradicionais de desenvolvimento econômico. Penso que a economia criativa não deixa de ser uma solução para os desafios de reposicionamento econômico de economias locais.

[1] Creative Economy Report 2008. The Challenge of Assessing the Creative Economy: towards informed Policy-making.

[2] Creative Economy Outlook 2018: Trends in international trade in creative industries 2002-2015.

 

Por: Sudanês B. Pereira

 

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