ECONOMIA E INOVAÇÃO: Cai a Taxa de inovação das Empresas Brasileiras

 ECONOMIA E INOVAÇÃO: Cai a Taxa de inovação das Empresas Brasileiras

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE realiza desde 2000 a Pesquisa de Inovação – Pintec, que tem por objetivo a construção de indicadores setoriais, regionais e nacionais das atividades de inovação das empresas brasileiras, com 10 ou mais pessoas ocupadas, tendo como universo de investigação as atividades das Indústrias extrativas e de transformação, bem como dos setores de Eletricidade e gás e Serviços selecionados[1]. Vamos falar aqui dos principais resultados da Pintec 2017, cobrindo o triênio 2015-2017, divulgada em abril deste ano.

O país passou por uma forte recessão com reflexos no Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 (-3,5%) e 2016 (-3,3%), depois teve uma leve recuperação em 2017 (1,3%). Isso causou um impacto profundo nos investimentos diretos em bens de capital e nas atividades de inovação das empresas.

A Pintec mostrou que o percentual de empresas que inovaram caiu de 36% para 33,6% (uma em cada três) entre 2015 e 2017, em um universo de 116.962 companhias com dez ou mais trabalhadores.

Fonte: IBGE. Pintec 2017.

Pesquisa e Gestão da Inovação no Brasil

É importante destacar que as empresas que inovam somente em processo, diminuíram em relação aos anos anteriores (2,7%). A inovação de processo, tipo mais comum no Brasil, tende a moldar o comportamento da taxa geral de inovação.

A inovação de produto requer das empresas mais esforço, e tende a puxar a inovação de processo por tabela. Apenas as empresas inovadoras somente em produto cresceram. Já as empresas inovadoras em produto e processo, tiveram uma redução da taxa de inovação em menor escala. Ver o gráfico 1 abaixo com mais detalhes sobre a Pintec 2017.

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Gráfico 1. Brasil- Taxa de Inovação segundo o Tipo (%).jpg

As inovações nas empresas brasileiras são, no geral, de caráter incremental, aquelas nas quais são aprimorados produtos e processos já existentes nas empresas. Uma pequena parcela inova para além dos seus limites internos, desenvolvendo produtos e processos novos não somente para si, mas mercado nacional e para o mundo.

Investimento em Atividades Inovativas

O investimento nas atividades inovativas alcançou R$ 67,3 bilhões em 2017, ou 1,95% da receita líquida das empresas. Do total de gastos, R$ 25,6 bilhões foram para atividades internas de P&D, atingindo 0,74% da receita de vendas. Outros R$ 21,2 bilhões foram aplicados na aquisição de máquinas e equipamentos, 0,62% da receita de vendas, e R$ 7,0 bilhões na aquisição externa de P&D, 0,20% da receita de vendas. O gráfico 2 ilustra as informações.

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Gráfico 2. Brasil- Dispêndios em Atividades Inovativas nas Empresas (R$ bilhões) 2017 .jpg

Taxa de Inovação por Setores de Atividade

Entre os três setores, a indústria – extrativa e de transformação – foi a mais afetada, com o percentual de empresas inovadoras caindo de 36,4% em 2014, para 33,9% em 2017, o menor patamar das três últimas edições da pesquisa. Ainda na indústria, o percentual das receitas investido em atividades inovadoras caiu de 2,12% em 2014 para 1,65%. Mesmo assim, a indústria continua liderando a inovação no país.

Houve redução da taxa de inovação das empresas inovadoras do setor de eletricidade e gás, de 29,2% para 28,4%, por outro lado, o percentual dos investimentos subiu de 0,57% para 0,66% das receitas líquidas.

Já o setor de serviços selecionados, a taxa de inovação variou de 32,4% para 32%, com a intensidade de investimentos caindo de 7,81% para 5,79%. Os serviços selecionados incluem edição e gravação de música, telecomunicações, tecnologia da informação, tratamento de dados e hospedagem de internet, arquitetura e engenharia, testes e análises técnicas, pesquisa e desenvolvimento científico. Ver o gráfico 3.

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Gráfico 3. Brasil- Taxa de Inovação por Setor de Atividade.jpg

O Apoio do Governo à Inovação e Fontes de Financiamento

A Pintec revelou que no triênio 2015-2017, 26,2% de empresas inovadoras foram beneficiadas com algum tipo de apoio governamental à inovação, e indica uma queda acentuada em relação aos anos anteriores da pesquisa, como pode ser visto no gráfico abaixo.

O financiamento para a compra de máquinas e equipamentos ainda é o principal mecanismo de incentivo à inovação, mas é também uma modalidade que vem perdendo relevância nas empresas beneficiadas, recuando de 29,9% para 12,9% no período.

A Lei do Bem (Lei 11.196/05), é o principal instrumento de estímulo às atividades de P&D nas empresas brasileiras. Empresas dos três setores – indústria, serviços selecionados e eletricidade e gás -, aumentaram a participação no uso da Lei do Bem como incentivo à inovação. Apesar do aumento das empresas que se beneficiam da Lei do Bem (3,5% para 4,7%), a Pintec revelou que a diminuição do apoio total do governo tem sua tendência influenciada pela diminuição do apoio para aquisição de máquinas e equipamentos.

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Gráfico 4. Brasil- Percentual das Empresas Inovadoras que Utilizaram Programas do Governo para Inovar (%).jpg

Dificuldades e obstáculos à inovação

Essa é uma informação relevante para sabermos o que está dificultando as empresas inovarem, pois aponta onde é necessário reduzir os obstáculos e avançar na inovação e competitividade.

Segundo a Pintec, no período 2015-2017, os riscos econômicos excessivos ganharam importância, configurando-se como principal obstáculo à inovação para 81,8% das empresas inovadoras, após ocupar a terceira e segunda posições nas pesquisas anteriores. Ver a figura 1.

Em contrapartida, os elevados custos para inovar caíram da primeira colocação, em 2011 e em 2014, para a segunda, sendo indicado por 79,7% das empresas inovadoras.

Outro fator relevante é em relação à falta de pessoal qualificado. Essa dificuldade foi indicada por 65,5% das empresas inovadoras, despontando como terceiro obstáculo no ranking, ganhando espaço em relação à escassez de fontes apropriadas de financiamento (63,9%), que caiu para a quarta posição.

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Figura 1. Ranking da Importância dos Obstáculos para Inovar.jpg

A Pintec 2017 também identificou um aumento no percentual de empresas inovadoras que realizaram atividades de biotecnologia (4,6% ante 3,4% do período anterior) e nanotecnologia (2,3% contra 1,8%). Em ambos os casos, são nas grandes empresas onde essas atividades se desenvolvem mais.

Só para Lembrar….

Para Schumpeter[2], a ideia da mudança gerada a partir das ações de um empreendedor, no esforço de ultrapassar o limite das rotinas existentes, seria inovação e, por isso, um estímulo ao desenvolvimento econômico. O impulso para o desenvolvimento partiria, então, do lançamento de “novos produtos, novos métodos de produção ou de transporte, novos mercados e novas formas de organização industrial”.

Portanto, aumentar a competitividade das empresas brasileiras passa necessariamente pela inovação e qualificação do seu capital humano, não existe outra forma de crescer e desenvolver um país.

Até o próximo artigo!

[1] São os segmentos de Edição e gravação de edição e música; telecomunicações; informática; arquitetura, engenharia, testes e análises técnicas; P&D.

[2] Joseph Schumpeter foi um dos principais economistas do século 20, e um dos primeiros a acreditar que inovações tecnológicas podem ser um motor do desenvolvimento capitalista.

 

Por: Sudanês B. Pereira

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